Meio ambiente e a sociedade

PEACE: a sustentabilidade e a sociedade andam juntas

Criada pela advogada e mestranda na UCSAL, Laíze Lantyer, a PEACE busca uma forma muito mais consciente de garantir um planeta melhor. Venha conhecer!

A organização Paz, Educação Ambiental e Consciência Ecológica (PEACE) surge, em Salvador, de uma difícil missão: pôr um fim ao “analfabetismo ambiental” em uma era em que o consumo parece estar acima de tudo e de todos.

Voluntário e inclusivo, o projeto luta pela livre educação ambiental nas escolas da rede pública de Salvador, pelo reconhecimento do trabalho das catadoras de resíduos e pela forma que conseguem impedir que boa parte do lixo da cidade acabe em aterros, sem contar as inúmeras outras ações que realiza pelo meio ambiente.

Nossa equipe teve a oportunidade de conversar com a Laíze Lantyer Luz, advogada, mestranda em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal) e fundadora da associação, que nos contou alguns detalhes das atividades e das motivações da organização.

Entenda melhor o trabalho lindo dos participantes desse projeto!

Analfabetismo ambiental

Talvez você esteja desde o começo do texto se perguntando o que é, afinal, esse tal de “analfabetismo ambiental”. Foi uma das dúvidas também surgiram durante a produção deste artigo. E temos uma resposta bem preocupante para essa pergunta.

Acontece que há uma falta de conhecimento sobre as práticas de prevenção do meio ambiente e conservação da natureza que sobrevive às épocas. E, apesar de existir uma lei que preza pela educação ambiental, pouquíssimas pessoas realmente têm acesso a esse tipo de informação e, muito menos, recebe incentivo para acontecer.

Isso se une ao fato de vivermos na Era do Consumo, momento em que ser alguém implicar em ter coisas. Também, segundo a Laíze, “Há um interesse de mercado que a maioria da população continue analfabeta ambiental pois assim ela continua consumindo o que não precisa e ficando depressiva quando não consegue.”

Assim, numa tentativa de combater esse processo, o pessoal da PEACE visita escolas da rede pública que são parceiras da organização, reeducando, através de palestras dinâmicas e recheadas de bom senso, os estudantes e professores a respeito de suas escolhas no dia a dia, para que tenham mais consciência de suas ações.

E, para que uma escola se torne parceira do projeto, deve redirecionar os materiais de escrita (lápis, borrachas, apontadores e outros resíduos do tipo) para a organização, evitando que os aterros recebam mais lixo. A PEACE ainda implementa o recolhimento de resíduos de cuidados com o corpo e esponjas, colaborando com as técnicas necessárias para que a escola possa implementar essa coleta.

Do lixo ao luxo

Outra iniciativa dentro da PEACE é a parceria que o grupo baiano tem com algumas instituições de dentro e de fora do país, formando uma rede de intercâmbio de pesquisas. A última foi realizada em conjunto com a Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia (Estados Unidos).

Foi de lá que veio Paul Donnelly, fotógrafo e mestrando de Desenvolvimento Internacional, que veio para ajudar a desenvolver um dos projetos mais conhecidos e transformadores da organização: o “Catadoras de Luxo: heroínas (in)visíveis”, possibilitando uma experiência única e cheia de emoções para todos os participantes.

As protagonistas dessa atividade são, claro, as catadoras: mulheres que, apesar de muito importantes para o funcionamento da sociedade, são marginalizadas, invisibilizadas e esquecidas. Mas a galera da PEACE viu nelas um brilho especial.

Assim, em conjunto ao projeto de pesquisa da Laíze Lantyer, foram selecionadas 12 mulheres que trabalhassem como catadoras para que tirassem alguns retratos com o fotógrafo estadunidense – em especial um que focasse no dia a dia de trabalho delas e outro que mostrasse um lado mais particular de cada uma.

Meio ambiente e a sociedade
Meio ambiente e a sociedade
As duas fotos de Annemone Santos da Paz, uma das inspiradoras representantes do projeto! – Foto: Paul Donnelly

O resultado foram fotografias lindíssimas como essas acima – e que têm uma importância imensa!

Mais uma vez citando a Laíze, os principais objetivos dessa ação eram “resgatar a autoestima, dar visibilidade e reconhecimento às catadoras, além de aprofundar a reflexão sobre o papel das catadoras de materiais recicláveis na cidade de Salvador e, por conseguinte, auxiliar na compreensão do nosso atual estágio de analfabetismo ambiental.”

É um recorte forte e importante de um grupo que já sofreu demais sem ganhar recompensas ou destaque, que, agora, tem uma chance de brilhar!

E brilhar mesmo, como estrelas de cinema! Sim, logo mais, elas serão as heroínas de um documentário tratando sobre essa atividade e que promete movimentar os cinemas da capital da Bahia (e depois as redes sociais) com a realidade de algumas moradoras da cidade que eram, até então, esquecidas.

Promovendo a transformação

É impossível falar em sustentabilidade sem que antes repensemos o funcionamento da nossa sociedade. E, como é possível de perceber, a PEACE se preocupa em garantir todas essas transformações socioambientais.

Isso se manifesta desde as mais simples ações da organização, como a adoção dos copos da Silicup em inúmeras das ações que realizam. Essa substituição dos recipientes descartáveis, pelos reutilizáveis de silicone, por mais que pareça irrelevante, colabora para a redução do plástico nos oceanos e, consequentemente, no organismos de todos os animais (nós, inclusive).

A própria fundadora do projeto falou sobre isso: “como sempre digo o copo não voa até a nossa boca sozinho. O herói não é o copo, mas sim o indivíduo.” Ela ainda complementou: “Somos heróis toda vez que recusamos diariamente mais um copinho plástico, toda a vez que recusamos o consumo de algo desnecessário mesmo seduzidos pelo fetiche do mercado.”

E, claro, essa preocupação também pode ser observada em grandes atitudes que a organização toma em prol do meio ambiente. É o caso do programa OAB Lixo Zero, ainda em desenvolvimento, que promete transformar a visão que temos de consumo e descarte.

Esse acordo se deve, em boa parte, à entrada da Laíze na Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ela que movimentou a ideia de um movimento que despertasse os advogados para a necessidade de um futuro melhor.

O acordo já está pronto e falta, apenas, decidir sobre alguns detalhes, que seguem em trâmite.