EmpoderaDonnas: justiça, equilíbrio e segurança para as mulheres

Jaqueline Maino, fundadora da empresa ativista EmpoderaDonnas, contou sobre a parceria com a Silicup e respondeu algumas dúvidas sobre a relação entre pautas feministas e ambientais.

Escrito por João Pedro Varal Tartari

Se você é um seguidor assíduo da Silicup nas redes sociais, é bem provável que, durante o período de carnaval, tenha visto algumas postagens de cor verde que traziam palavras de protesto contra o uso dos descartáveis e o assédio.

Essas imagens faziam parte de uma campanha realizada entre a Silicup e a empresa ativista EmpoderaDonnas, que, por sua vez, trava uma luta constante pelos direitos das mulheres contra o machismo e o modelo de sociedade patriarcal, sem deixar de lado a importância de um consumo sustentável.

O fato de essa ação ter ocorrido no carnaval também não é ao acaso. Como as festas desse período envolvem um grande número de pessoas convivendo no mesmo espaço durante algumas horas, alguns homens, aproveitando-se do privilégios que têm, ignoram o consentimento e praticam atitudes que desagradam, constrangem e amedrontam outras pessoas ao seu redor – geralmente, mulheres.

Isso tem um nome: assédio. E, convenhamos, não é nada divertido.

Portanto, para que essa mensagem fosse passada, concluiu-se que era necessário acrescentar um pouco de humor à seriedade do assunto. Assim, surgiram as frases que coroaram os nossos copos nessas últimas semanas: “Não sou obrigada (a nada)”, “Me beija até o Brasil melhorar (e se eu deixar)” e “Não é não (mesmo)”.

Silicup & EmpoderaDonnas - juntos por um carnaval + consciente
As artes deixam claro: não é não, tanto para o assédio, quanto para os descartáveis. – Foto: Divulgação/Silicup

A parceria com a Silicup, assim como as artes, surgiram da união ness dessas ideias. Afinal, o copo funciona como uma lembrança diária da luta contra os desrespeitos estruturais contra a mulher, ao mesmo em que contribui para uma redução significativa no uso dos descartáveis e para alcançar um impacto ambiental positivo.

A mulher e a sustentabilidade

Essa ideia de juntar as pautas feministas à procura por um consumo sustentável não é de hoje. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) já constatou que essas são lutas inseparáveis ao adicionar o quinto Objetivo do Desenvolvimento Sustentável quando criou, em 2015, a Agenda 2030.

ODS 5 - Igualdade de Gênero
A garantia de direitos iguais, cargos de liderança nas mais variadas áreas e o fim da violência contra a mulher estão entre as principais propostas deste ODS. – Foto: Divulgação/ONU

Claro, não é novidade que causas sociais e ambientais andam juntas. Mas, segundo a empresária e fundadora da EmpoderaDonnas, Jaqueline Nunes Maino, a mulher concentra sobre si uma forma de poder muito importante na relação com o meio ambiente, especialmente levando em conta o modelo de sociedade capitalista. Ela é responsável pelo poder do consumo.

Durante nossa conversa, Jaqueline disse que “Hoje, a mulher é responsável pela maior parte do consumo e, quando ela não é responsável, ela é a maior influenciadora.” Ela baseia essa afirmação em uma pesquisa publicada na conta do Instagram da EmpoderaDonnas, que afirma que as mulheres são responsáveis por 66% de todo o consumo, além de 96% das tomadas de decisão no momento da compra.

Pondo isso em números, elas movimentam, em média, 1,3 trilhão de reais por ano. a “Donna” ainda brinca a respeito do assunto: “Nós, mulheres, temos nas mãos o poder de ou salvar o planeta ou terminar de destruí-lo a partir da nossa decisão de consumo.”

Dessa forma, a relação entre o feminino e o sustentável fica ainda mais visível.

As mulheres têm, de acordo com a CEO, “uma grande possibilidade de impactar negativa ou positivamente o ambiente.” Assim, à medida que novos poderes (como o social e o político) forem conquistados por elas, maior poderá ser a luta por um menor impacto sobre a natureza, em especial se as mulheres tiverem noção de quão significativo é o papel delas nessa mudança.

Isso significa dizer que as mulheres precisam, sim, se empoderar e conquistar formas de controle que ainda não estão em suas mãos da mesma maneira que nas dos homens para que a sociedade consiga acessar um consumo minimamente consciente.

Empoderando a primeira Donna

Pode-se dizer que a fundadora da empresa foi, também, a primeira mulher a se empoderar com ela.

Em nossa conversa, Jaqueline contou como as experiências pessoais que ela teve ao enfrentar o machismo foram parte fundamental para o surgimento da empresa. Em especial, porque foi esse conjunto de comportamentos nocivos que fez com que ela tivesse que enfrentar uma doença terrível: a depressão com ideação suicida.

Foi no momento em que ela percebeu essa influência que decidiu que lutaria contra essa forma de controle: “Quando me dei conta do quanto o machismo e todos os desdobramentos dele foram definitivos para o estabelecimento do meu quadro de saúde decidi, ao invés de tirar a minha vida, ‘abrí-la’ e usar a minha história para fundar um movimento ativista pela vida das mulheres.”

Jaqueline Nunes Maino
Jaqueline Nunes Maino diz ter sede de “um mundo mais justo, equilibrado e seguro, especialmente para as mulheres”. – Foto: Divulgação/EmpoderaDonnas

E assim, através do Instagram, surgiu a EmpoderaDonnas. No dia 13 de março de 2019, a empresária passou a compartilhar a sua história na rede social, além de desenvolver produtos e eventos, focados em mulheres, que promovessem uma reeducação social.

Ainda, segundo ela, a busca era por incentivar mulheres “ao autoconhecimento, o conhecimento dos seus direitos e à busca pelos seus próprios sonhos.” E isso continua acontecendo depois desse quase um ano de atuação… Com algumas melhoras!

Em fevereiro deste ano (2020), a EmpoderaDonnas se tornou uma empresa ativista, que através da desenvolvimento de advocacy e de palestras como o “Você tem sede de que” segue buscando por melhores qualidades de vida para todas as mulheres.