Austrália um país inteiro consumido pelas chamas

Austrália: um país inteiro consumido pelas chamas

Desde setembro de 2019, a Austrália vem pegando fogo, acabando com casas e quase extinguindo espécies. Entenda os motivos e as reações a essa crise ambiental de imensas proporções.

Escrito por João Pedro Varal Tartari

Os incêndios na Amazônia não foram os únicos a causarem sérios estragos durante o ano de 2019. Na verdade, eles foram sucedidos por uma séries de fogos tão grande e tão problemática quanto os que atingiram a floresta sul-americana: os bushfires, na Austrália.

Descritos pela Geoscience Australia, organização pública australiana responsável por estudar e trazer informações sobre a geografia e a geologia do país, como incêndios que, geralmente, se movimentam mais devagar, mas que atingem maiores temperaturas, podendo persistir por meses, os bushfires, ou incêndios florestais, são parte do funcionamento natural de alguns dos ecossistemas australianos.

Acontece que, recentemente, essas queimadas vêm ficando cada vez maiores e mais incontroláveis, destruindo grandes porções de vegetação e levando boa parte da vida animal, inclusive humana, junto delas.

A última dessas grandes temporadas de incêndios começou em setembro de 2019, todos os estados australianos, mas afetando, principalmente, Vitória e Nova Gales do Sul.

Metade dos coalas da Austrália morreram nos incêndios
Estima-se que, pelo menos, 25 mil coalas (metade da população desses animais que habitava o país) tenham morrido com os incêndios. Cientistas consideram classificar a espécie como “em perigo”. – Foto: David Mariuz

Segundo o site de notícias R7, esses fogos causaram a morte de 33 pessoas e cerca de 1 bilhão de animais desde que começaram até o momento em que este artigo foi redigido. Além disso, foram responsáveis por destruir mais de 117 mil km², uma área quase equivalente à da Coreia do Norte.

Os bushfires foram sucedidos, ainda, por dois fenômenos naturais catastróficos: imensas tempestades de areia, que ocorreram entre os dias 17 e 20 de janeiro de 2020, e chuvas de granizo com o tamanho de bolas de golfe, no dia 20 de janeiro.

Nuvem de poeira e tempestade de granizo na Austrália
À direita, uma nuvem de poeira se aproxima de uma rua no município de Dubbo no dia 19 de janeiro. À esquerda, tempestade de granizo em Canberra, capital da Austrália, no dia 20 de janeiro. – Fotos: Ian Harris / Tom Swann

Como explica o coordenador-geral de pesquisas e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Antonio Marengo Orsini, esses eventos foram acelerados pelo fogo que cobre a Austrália.

Em declaração ao jornal Estado de São Paulo, o cientista peruano afirmou que o aquecimento e o desgaste do solo produzem energia, que pode ser transformada em uma tempestade de areia ou em outros fenômenos do gênero com grande rapidez e intensidade.

Esse processo é acentuado pela presença e interferência humana. Marengo garante que “Se você tirasse toda a população, a seca seria um processo natural, assim como as queimadas. Mas, com a introdução do ser humano, esse impacto fica muito mais forte”.

Mesmo com a ocorrência desses eventos em algumas das regiões da Austrália, muitos dos focos se mantiveram queimando ou corriam o risco de se reacenderem e voltarem a devastar as áreas naturais do país.

Os combustíveis da catástrofe

Como mencionado anteriormente, os bushfires já acontecem sem a intervenção humana, em especial como consequência de raios que atingem a folhagem seca. Essa é uma dinâmica de manutenção de alguns ecossistemas australianos, já que as plantas queimadas se transformam em adubo, aumentando a fertilidade do solo.

E elas não seriam um grande problema se não fosse o fato de a maior ilha do mundo estar presa em um longo período de escassez de chuvas, que tem persistido desde o ano de 2015.

Essa carência seria consequência de um ciclo promovido pelo Dipolo do Oceano Índico (ou El Niño Índico). Esse fenômeno, em sua fase positiva, promove uma redução das temperaturas da superfície leste do Oceano Índico, enquanto há um aumento nas da superfície oeste, fazendo com que haja uma concentração de chuvas sobre a África Oriental enquanto, na Austrália, quase não há precipitação.

Apesar de natural, essa condição vem apresentando consequências cada vez mais extremas e catastróficas. A seca prolongada e as temperaturas superiores a 40ºC no maior país da Oceania são exemplos disso e têm uma razão, por vezes ignorada, para ocorrerem: o Aquecimento Global.

A ação humana, em especial após a Revolução Industrial, tem feito com que a temperatura média da Terra aumente alguns graus. Isso, apesar de não parecer grande coisa, traz transformações absurdas na temperatura e no equilíbrio climático de inúmeros locais ao redor de todo o planeta.

Aquecimento global agrava queimadas na Austrália
Seca, calor, faíscas: esses seriam os principais ingredientes para as queimadas na Austrália… Tudo isso agravado pelo Aquecimento Global. – Foto: Peter Parks

Dentre as consequências que essas mudanças têm sobre a Austrália, uma das piores e que está mais relacionada com todo o escândalo incendiário é a sequidão das plantas. As altas temperaturas, o sol escaldante e a falta de chuva fazem com que toda a vida vegetal fique mais desidratada e, consequentemente, mais inflamável.

Assim, qualquer faísca pode causar, com facilidade, um incêndio de grandes proporções.

Só que o problema não para por aí… Segundo o site de notícias news.com.au, quase metade dos bushfires foi iniciada por pessoas. A BBC News reforça essa ideia, pontuando que, de 62 mil focos de incêndio, 31 mil são iniciados propositalmente ou, ao menos, têm origem suspeita.

A situação fica ainda mais alarmante quando se analisa o perfil desses incendiários: em sua maioria jovens entre 12 e 24 anos e, pelo menos, 10% dos casos partirem de crianças com 10 anos de idade ou menos, como coloca Janet Stanley, professora e especialista no assunto pela Universidade de Melbourne.

Homens mais velhos, com idade superior a 30 anos, com um histórico de abuso infantil, negligência ou que apresentam fortes dificuldades no controle da raiva também estão entre os principais acendedores de fogos.

Quem apaga os incêndios?

Afinal, quem está assumindo a responsabilidade por apagar e consertar os danos causados pelos incêndios? No meio de uma confusão potencializada pelo fogo, muitas das funções que deveriam pertencer ao governo e a órgãos relacionados acabam recaindo sobre pessoas comuns.

Esse é o caso dos bombeiros que estão agindo para combater os incêndios no país. Eles fazem parte, em sua maioria, de grupos voluntários, como o Corpo de Bombeiros Rural de Nova Gales do Sul. Acontece que, apesar de muito motivadas a salvar o lugar onde vivem, essas pessoas têm de apagar um grande número de queimadas, alcançando a exaustão rapidamente, sem receber nada em troca além do risco de se ferir gravemente.

Bombeiros combatem incêndios na Austrália
O serviço voluntário de bombeiros é responsável pela maior parte das atividades emergenciais em incêndios na Austrália. – Foto: Rick Rycroft

Algo similar acontece com quem coloca a vida em risco para salvar os animais. Mesmo com boas intenções, essas pessoas entram nos incêndios, na maior parte das vezes sem nenhuma proteção, para resgatar os bichinhos e acabam se vendo presas ou no meio do fogo, ou no meio de contas para sustentar os que conseguem salvar.

Ao mesmo tempo em que tantos cidadãos estão engajados, o primeiro ministro da Austrália, Scott Morrison, sempre pareceu um pouco despreocupado com o assunto. Além de ter desaparecido (no que parecia ser uma viagem ao Havaí) quando a Austrália precisava que ele tomasse uma atitude em relação aos bushfires, ele sempre manteve uma postura de negacionismo do Aquecimento Global e o potencial destrutivo que esse fenômeno tem.

Isso foi recebido de maneira bastante negativa pela maior parte da população. No dia 10 de janeiro de 2020, milhares de pessoas saíram às ruas em cidades da Austrália e na frente de embaixadas do país ao redor do mundo para protestar por medidas legítimas em relação às queimadas e pelo fim dos desvios de recursos usados para emergência nos incêndios.

Pessoas protestam por melhores soluções para os incêndios na Austrália
Pelo menos 10 mil pessoas teriam se reunido em Melbourne, no dia 10 de janeiro, para protestar por melhores soluções para os bushfires. – Foto: Robert Cianflone

A ativista ambiental Greta Thunberg também se posicionou em oposição a esse tipo de política. Durante um discurso na 50ª reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a jovem de 17 anos reforçou que: “Nossa casa ainda está pegando fogo. Sua inação está alimentando as chamas a cada hora.”

Defensor assíduo do carvão e de sua utilização na produção de energia, Morrison demorou a assumir a conexão entre os incêndios e o aquecimento global, mas o fez após muita pressão popular, científica e midiática. Como resposta a todos os protestos e comentários nada positivos sobre seu governo, o ministro se dispôs a pagar 6 mil dólares australianos para cada um dos bombeiros voluntários, além de convocar 3 mil reservistas para que ajudem a combater os bushfires.

E algo precisa ser feito, com urgência, para resolver todos esses problemas! Temos que cobrar de nossos governantes e representantes por medidas que preservem o meio ambiente e que se proíbam práticas que coloquem em risco ecossistemas inteiros.

É nosso papel salvar a natureza. Afinal, sem ela, nós não somos nada!

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