Ailton Krenak: é possível adiar o fim do mundo?

Em pleno Abril Indígena, que tal aproveitar para conhecer mais sobre a vida e as palavras do escritor e líder indígena Ailton Krenak?

Escrito por João Pedro Varal Tartari

Um dos maiores nomes na luta indígena e ambiental do Brasil, Ailton Krenak foi e segue sendo o protagonista de discursos extremamente necessários. Fundador e dirigente do Núcleo de Cultura Indígena, Krenak faz parte de um dos povos nativos do país que sofreu muito com a invasão dos europeus às suas terras.

Ele se tornou particularmente conhecido após uma fala que fez durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1997. Enquanto denunciava as agressões e injustiças cometidas contra os povos indígenas, Ailton usou pasta de jenipapo para pintar o rosto de preto – sinalizando o luto que sentia pelo retrocesso na forma como os direitos dessas pessoas eram tratados.

Essa manifestação, assim como o comprometimento de Ailton com essas questões, teve resultados positivos. O surgimento dos artigos 231 e 232 na Constituição de 1998, que garantem o direito dessas populações às suas organizações sociais, culturais e às terras que precisam para viver, devem-se muito à participação do escritor na elaboração desse documento.

Autor de textos importantes tratando sobre a questão ambiental, ele se mostra bastante preocupado com as consequências que o consumo massivo de recursos promovidos hoje em dia poderá trazer ao Planeta Terra. Em entrevista para o portal Believe.Earth, ele afirmou que:

“Se continuarmos assim, vamos comer o planeta inteiro, até chegarmos em um buraco, um abismo ecológico. É preciso haver uma reconciliação dessas novas gerações com a sua história e com a história do planeta. E a história do planeta é a história da vida.

Ailton Krenak

E, quando o fim do mundo parece cada vez mais próximo, precisamos procurar maneiras de evitá-lo.

Ideias para adiar o fim do mundo

Os Krenak, povo ao qual Ailton pertence, atualmente, residem em um território reduzido próximo à cidade de Resplendor no estado de Minas Gerais (MG). Essas terras beiram o Rio Doce e fizeram parte das áreas afetadas, em 2015, pelo rompimento de uma barragem administrada pela mineradora Samarco no município de Mariana.

Montagem mostrando a água cristalina do Rio Doce antes do desastre de Mariana e como ela ficou cheia de lama após o rompimento da barragem.
À direita, o Rio Doce antes de ser violado pelas mineradoras. À esquerda, sua situação após o rompimento da barragem e a mistura da lama à água. – Foto: Fabio Braga/Folhapress

A vegetação e a fauna da região foram devastadas e o rio, a principal fonte de subsistência desse povo, foi coberto por uma lama tóxica repleta de rejeitos da mineração. E os Krenak, que vem sendo desapropriados de suas terras desde os primeiros contatos com os portugueses, perderam o acesso a outro elemento de sua cultura.

Acontece que, para eles, o rio é um parente. Ou seja, deixar que algo como o que ocorreu em Mariana acontecer com alguém que faz parte de sua família seria impensável para os Krenak, assim como para muitas outras etnias indígenas ao redor do Brasil e do mundo.

Esse vínculo com a natureza é um dos pontos centrais abordados por Ailton em seu livro “Ideias para adiar o fim do mundo”. Ele vê a separação entre as pessoas e a Terra como uma das principais causadoras da falta de sentido na vida.

Parte de um processo de transformação civilizatória, ela priva as pessoas de seus desejos e, consequentemente, de sua existência – transformando-as em “zumbis” do consumo. Assim, as pessoas sentem que precisam consumir cada vez mais e, pedaço por pedaço, devoram o planeta até seu fim.

Paralelamente, a conexão que a pessoa indígena nutre pelo meio ambiente faz com que ela siga respeitando-a quando usa de seus recursos. Isso acontece porque essas culturas identificam a natureza como um local sagrado, de onde surge a inspiração e a vida.

Apesar de não deixar claro se podemos ou não evitar ou, ao menos, adiar o fim do mundo, Ailton Krenak afirma com certeza: “Nenhuma história antiga nossa, nenhuma, admite que a gente vai acabar.”

Talvez a melhor resposta ainda seja que devemos buscar uma maior conexão com o planeta em que vivemos.

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